Tecnologia japonesa pode ser usada para despoluir Canal das Taxas, no Recreio

Tecnologia japonesa pode ser usada para despoluir Canal das Taxas, no Recreio

Morador do Recreio pede que Secretaria de Conservação e Meio Ambiente autorize uso de mix de micro bactérias; produto, porém, não é unanimidade

Tecnologia japonesa pode ser usada para despoluir Canal das Taxas, no Recreio

William Nogueira, da Câmara Comunitária do Recreio e Nova Associação Barra Bonita pediu autorização à prefeitura para usar uma tecnologia japonesa de micro bacterias para limpar trecho do Canal das Taxas – Lucas Altino / Lucas Altino

 

Cansado de esperar que o poder público aja para despoluir o Canal das Taxas, o presidente da Associação Nova Barra Bonita e da Câmara Comunitária do Recreio, William Nogueira, decidiu sugerir, ele próprio, uma solução e se empenhar para viabilizá-la. Na semana passada, Nogueira protocolou um pedido de autorização e licenciamento junto à Secretaria de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma), com a intenção de usar uma tecnologia que emprega microbactérias no combate à sujeira do canal.

O objetivo é despejar um produto desenvolvido pela empresa Alevinus no trecho em frente ao condomínio Barra Bonita.

— Como temos elevatória aqui, a incidência de esgoto em frente ao condomínio não é tão grande. Por isso, o resultado pode ser melhor. Se der certo, daria para fazer o mesmo em outros lugares. Mas antes é preciso remover as gigogas — acredita Nogueira, afirmando que o custo não chegaria a R$ 100 mil em seis meses. — A prefeitura só faria um acompanhamento técnico, e a iniciativa privada pagaria o projeto. Muitas empresas sofrem com a proliferação de mosquitos. Estou conversando com várias nesta situação.

Há dois anos, o produto foi usado num trecho do canal perto da Avenida Glaúcio Gill. Sócio da Alevinus, Nuno Cunha garante que os resultados foram positivos. Ele explica que a tecnologia, japonesa, utiliza micro-organismos específicos para combater os poluentes e ajudar a reequilibrar o ecossistema degradado.

Porém, o engenheiro sanitário e professor da Uerj Adacto Ottoni, consultado pelo GLOBO-Barra, diz que é preciso ter cautela com esse tipo de tecnologia.

— Não vou dizer que vai dar errado, mas é uma interrogação. Apesar de isso já ter sido feito em outros lugares do mundo, não há comprovação científica da eficiência deste método. Acho que colocar microbactérias numa estação de tratamento do esgoto faz sentido, mas numa lagoa natural pode causar desequilíbrio ecológico — avalia.

Ottoni acrescenta que propôs uma outra alternativa ao Ministério Público para acabar com a poluição no Canal das Taxas:

— Já que implantar uma rede completa de esgoto é muito caro, o poder público deveria fazer uma rede interceptora em determinados valões de esgoto como medida emergencial.

Procurada, a Seconserma informa que é favorável à ideia de usar microbactérias para melhorar a qualidade da água do Canal das Taxas e que, no momento, a proposta está sendo analisada por seu departamento jurídico.

Fonte: O Globo