Praias da Barra recebem operação de combate à desordem no verão

Praias da Barra recebem operação de combate à desordem no verão

Polícia Militar e Guarda Municipal promovem ações especiais nos fins de semana

Praias da Barra recebem operação de combate à desordem no verão

BA – Praias delitos – Jet-ski parado na orla, em vias de partir, e altinha: as duas infrações ao Código de Posturas do Município são combatidas pelas autoridades / Rodrigo Berthone

A chegada do calor aumenta a frequência de visitantes nas praias de toda a região. E, em tempos de avanço na mobilidade urbana, com a inauguração da Linha 4 do metrô, concebida com um trânsito diário estimado de 91 mil pessoas na estação Jardim Oceânico, e a abertura de novos trechos dos corredores expressos de BRT, o acesso ficou mais fácil. Com um público maior, neste verão cresce também o desafio das autoridades de manter segurança e limpeza e garantir obediência às normas estabelecidas no Código de Posturas do Município.

A nova administração destacou cerca de 306 agentes na Operação Verão, 86 a mais do que no ano passado, para cuidar de problemas já bem conhecidos de frequentadores e banhistas por toda a orla da cidade. No Pepê, o estacionamento em locais proibidos e o acúmulo de lixo são as ocorrências mais comuns. Mas, como esse é um dos pontos mais badalados da região, também são frequentes as reclamações sobre a presença de cães de estimação na areia. A publicitária Arlete Novaes, que há duas semanas levou dois filhos, num sábado, à praia naquele trecho, vê o fato como um problema de saúde pública.

— Nem sempre as praias estão limpas como deveriam, o que já é um problema. Mas nós tendemos a acreditar que, pelo menos na areia, estamos a salvo, o que não é verdade. Já vi aqui muitos cachorros trazidos pelas famílias. E se na rua muita gente deixa a sujeira que eles fazem, na areia isto acontece sempre. E o contato com essas fezes pode trazer danos para a saúde — reclama.

De olho na filha que se banhava nas águas da Praia do Pepê, a cabeleireira Sônia Ramos não poupou críticas aos diferentes grupos que jogavam altinha próximo ao mar, por volta das 14h30m. A prática é proibida das 8h às 17h.

— Isso me incomoda. Às vezes, eles chutam forte, e a bola acaba indo parar longe. Imagina ser atingido por um chute desses? Eles podem jogar, mas devem respeitar os horários liberados. As regras devem ser respeitadas, senão vira bagunça — afirma.

Quando a equipe de reportagem do GLOBO-Barra esteve no local, flagrou também um jet-ski na areia, em vias de partir para o mar, contrariando norma da Capitania dos Portos. O órgão estipula que a distância mínima que as embarcações devem manter dos banhistas é de 200 metros.

A área próxima ao Pepê, no Posto 2, costuma ficar cheia nos fins de semana e feriados, e o movimento cresceu ainda mais após a chegada do metrô, já que este é o ponto mais próximo à estação Jardim Oceânico. Muitos frequentadores buscam ali a tranquilidade perdida nas praias da Zona Sul onde, desde o ano passado, têm sido frequentes as reclamações contra arrastões. Em setembro, a Polícia Militar deflagrou, do Leme ao Pontal, a Operação Praia, com a atuação de 850 agentes em diferentes pontos, inclusive na areia, aos sábados e domingos. Nos dias de semana, o patrulhamento na Barra e nos bairros vizinhos fica a cargo do 31º BPM (Recreio).

Nem guardas municipais nem policiais, porém, podem atuar contra uma ameaça perigosa e, muitas vezes, imperceptível a olho nu: a qualidade da água. Este é o trecho da praia mais próximo ao encontro das águas do mar com as das lagoas de Jacarepaguá que recebem diariamente grande quantidade de despejo de esgoto. De acordo com o biólogo Marcelo Mello, os banhistas devem evitar as praias da Joatinga até o Posto 3.

— A proximidade dessas praias com o Canal do Joá compromete suas águas e, também, as areias, que estão contaminadas. E, para elas, não há testes periódicos sobre a qualidade, diferentemente do que acontece em relação à balneabilidade. Além do esgoto, há metais pesados, por causa das indústrias clandestinas que cercam todo o sistema lagunar. Os principais riscos são de hepatite, disenteria e micoses diversas — afirma.

A Praia da Reserva também parece destinada a conservar problemas conhecidos. Os banhistas só chegam ao local de carro. O excesso de veículos parados em locais proibidos atrapalha o trânsito e estimula a proliferação de estacionamentos clandestinos. O GLOBO-Barra encontrou pontos com acúmulo de lixo, apesar da presença de integrantes da Operação Lixo Zero, da Comlurb.

No Recreio, a desordem parece se reunir no Posto 12. Ali, nos fins de semana, ambulantes servem comida e bebida em barraquinhas montadas sobre bicicletas. Em busca de gelo, eles fecham os acessos à Praça Tim Maia e enlouquecem motoristas como o empresário Luiz Carlos Pedroso.

— Há uma rotatória na entrada da praia, mas é quase impossível contorná-la, porque sempre tem alguém com um veículo parado, fazendo descarga de mercadoria e abastecendo os isopores com gelo. Quando aparece fiscalização, eles somem, mas sem ela fica essa bagunça o dia inteiro — protesta.

SEM VAGAS, MAS COM CONFUSÃO

Apesar de a Linha 4 ter trazido facilidade de acesso, muitas praias só são acessíveis de carro. Neste caso, o problema é conseguir um local para estacionar. Na Prainha e em Grumari, como faz todo verão, a Secretaria municipal de Transportes (SMTR) voltou a restringir o acesso às praias após a lotação dos estacionamentos. A medida só vale durante os fins de semana. Como em boa parte da orla, esse é o grande obstáculo para quem pretende se divertir na praia. Veículos parados irregularmente atrapalham o trânsito e provocam acidentes, além de estarem sujeitos a multa e reboque.

Em alguns pontos, como na Reserva, no Recreio e em Grumari, há relatos de estacionamentos clandestinos e de cobranças irregulares, realizadas por flanelinhas não credenciados junto à prefeitura. Intimidados, os motoristas acabam pagando valores que consideram extorsivos, com receio de encontrar o carro avariado na volta. No Recreio, o contabilista Rodrigo Vieira afirma já ter pago R$ 30 por uma vaga.

— Claro que é muito caro, mas como vou dizer que não vou pagar por isso ou discutir valor? A praia estava lotada, eu não tinha onde deixar o carro e estava com minha mulher e minhas filhas. A falta de fiscalização e ordenamento acaba deixando todos vulneráveis demais — afirma.

Por meio de nota, a Guarda Municipal informou à reportagem que atua no trânsito da região com 40 agentes, que reforçam as ações de fiscalização e ordenamento na orla e em seus acessos. De sexta-feira a domingo, no último feriadão, foram aplicadas 475 multas. A Comissão de Controle Urbano (CCU), que até dezembro era administrada pela Secretaria especial de Ordem Pública (Seop), e desde janeiro integra e estrutura da Fazenda, informou que “desde dezembro, somente no trecho entre as praias de Barra da Tijuca e Grumari, mais de duas mil abordagens foram realizadas pelos agentes e mais de 700 infrações identificadas”.

O Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea) informa que as obras de recuperação das Lagoas da Barra e de Jacarepaguá tiveram o contrato suspenso devido aos arrestos judiciais e à crise financeira do estado. A Capitania dos Portos não respondeu aos contatos feitos pela reportagem. (Colaborou: Rodrigo Berthone)

Fonte: O Globo