balada recreio

Com novos bares, quarteirão no Recreio consolida-se como point gastronômico

Rua Fernando Bujones reúne estabelecimentos de estilos variados

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Amigos de infância, sócios do Bar 399 posam no bowl de cem metros quadrados; ao fundo, loja da Homegrown – Paulo Nicolella / Agência O Globo

É uma sexta-feira à noite. Enquanto a empresária Alejandra Piraino toma um drinque com sua irmã chilena que veio visitá-la, seu filho mais novo participa de uma aula de skate em um bowl de cem metros quadrados. O espaço tem nome e sobrenome: Bar 399, o mesmo que fez sucesso na Avenida Olegário Maciel, na Barra, durante oito anos. Há três meses abriu suas portas no Recreio, em uma estrutura de contêineres que também abriga a badalada Homegrown, misto de loja de roupas e galeria urbana. A casa nova — e única, já que a da Barra fechou — fica na Rua Fernando Bujones, em uma área residencial que até pouco tempo era considerada deserta pelos moradores, mas que se tornou a mais nova cena gastronômica do Recreio. Em cerca de um ano, o quarteirão onde fica o 399 ganhou outras cinco opções de programação entre bares, restaurantes e cervejaria.

O projeto de montar um bar que unisse esporte, moda, música, arte e sustentabilidade era uma vontade antiga dos sócios Marcelo Montezuma e Thiago Siniscalchi, entretanto inviável no espaço de 30 metros quadrados onde ficava o antigo 399. Há aproximadamente um ano, eles decidiram concretizar os planos. Para isso, uniram-se ao skatista Nilo Peçanha, a Bruno Pires do Rio Ramp Design, escritório de arquitetura especializado em construir pistas de skate, ao fundador da Homegrown, Paulo Tassinari, e a Rentcon de Bruno Peotta e Samir Carvalho, empresa de venda e locação de contêineres. Em meio à crise, inauguraram, em abril, o 399, um projeto com intervenções artísticas de João Lelo e Marcelo Macedo, com um bowl que também funciona como captador da água da chuva e uma mini-horta onde são cultivados temperos usados na cozinha do estabelecimento. Tudo em um terreno de 500 metros quadrados.

— Detectamos que o Recreio é um bairro muito jovem, mas com uma carência de entretenimento. O bar veio com uma proposta de unir a gastronomia ao esporte e à música. Consegue agradar, ao mesmo tempo, a pais e filhos. Não é uma balada — revela Montezuma.

Moradora da região há seis anos, Alejandra conta que antes do 399 não havia opção de lazer que agradasse a ela e aos seus filhos. A empresária frequenta o bar pelo menos duas vezes na semana, nos dias em que o filho tem aulas de skate. Ele faz, ainda, aulas avulsas — ambos os serviços oferecidos pelo estabelecimento. Toda terça-feira a pista é aberta para os frequentadores adultos. Nos outros dias da semana, é cobrada uma taxa de R$ 15 a hora.

— Para mim foi prefeito quando o bar abriu porque passei a vir com os meus filhos. Não tinha nada para fazer perto de casa. É uma área de convívio para os moradores daqui, muita gente vem a pé — afirma Alejandra.

A tatuadora Maricota Pinheiro concorda. Frequentadora assídua e moradora da Barra, ela conta que o bar é um dos poucos lugares que a agradam na região.

— Aqui é um dos lugares que eu mais frequento. É uma excelente opção, tem um clima de amigos e família. A música é boa, tem eventos, grafite… Tudo é bem legal — resume.

Todas as quintas, o 399 promove, em parceria com a rádio Layback, um evento musical em que um ritmo é homenageado por vez. Na lista, jazz, blues, rock, hip hop e soul. Semanalmente também ocorrem eventos ligados a esporte. Hoje, por exemplo, haverá o lançamento do modelo profissional do shape (prancha) de Emanuel Ribas pela marca americana Santa Cruz. Nos últimos domingos de cada mês, uma competição elege a melhor manobra do dia. Os prêmios são oferecidos pela Homegrown.

— Somos todos skatistas. Queremos apoiar o esporte, fomentar a evolução de atletas no país — afirma Nilo Peçanha.

A novidade agradou à vizinhança, mas também gerou reclamações. Moradora do prédio ao lado do bar, o único residencial do quarteirão, Ana Lima se queixa do barulho.
— Eram 23h30m de uma quinta-feira e o som estava alto. Fui lá e reclamei. Na mesma hora eles desligaram, mas o barulho da gritaria costuma ir até tarde. Mesmo quando está frio, eu durmo de ar-condicionado para abafar o som. Mas, por outro lado, desde que os bares abriram neste quarteirão, aumentou a sensação de segurança, movimentou muito — conta.

Os sócios garantem que querem manter um bom relacionamento com a vizinhança.

— Prezamos muito o respeito pelos moradores. Abaixamos o som às 22h, mesmo horário em que encerramos o bowl. Queremos ter um relacionamento legal com eles — resume Montezuma.

UNIÃO AGRADA À CLIENTELA

Do outro lado do quarteirão, na Rua Haroldo Cavalcanti, três estabelecimentos recém-inaugurados também chamam a atenção dos moradores. A butique de carne e hamburgueria Chega Aê!!!, a Growlers2go e a Adega Recreio aproveitaram a proximidade física dos estabelecimentos para montar uma parceria pouco comum. Em vez de competirem pela clientela, elas decidiram oferecer um serviço integrado no qual o cliente pode consumir em qualquer um dos estabelecimentos. Uma espécie de praça de alimentação descolada.

 

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