Candidatos veem degradação das lagoas de Jacarepaguá e prometem recuperá-las

Dos 11 postulantes à prefeitura convidados a navegar pelos lagos da região, três comparecem

lagoa da barra

Depois, não vai dar para dizer que desconheciam a real situação. Na semana passada, o ambientalista Mario Moscatelli se dispôs a ciceronear todos os candidatos a prefeito do Rio num passeio pelo sistema lagunar de Jacarepaguá, para mostrar a degradação e cobrar compromisso na busca por uma solução. Dos 11 aspirantes ao cargo, três compareceram: Carlos Osorio (PSDB), Marcelo Freixo (Psol) e Índio da Costa (PSD). Quatro — Flávio Bolsonaro (PSC), Alessandro Molon (Rede), Carmen Migueles (Novo) e Jandira Feghali (PCdoB) — mandaram seus companheiros de chapa —, e outros quatro — Pedro Paulo (PMDB), Marcelo Crivella (PRB), Cyro Garcia (PSTU) e Thelma Bastos (PCO) — não compareceram.

— Todos os candidatos foram convidados. Aqueles que acharam o tema importante vieram. Aqueles que tinham coisas mais importantes para fazer não vieram — alfinetou Moscatelli.

O GLOBO-Barra acompanhou a visita. A partida foi do píer do Inea, na Lagoa da Tijuca. Tomas Pelosi, vice de Carmen Migueles, mora ao lado da lagoa desde a infância. Já andou de barco e praticou windsurfe por lá, e, mesmo assim, admitiu, não tinha ideia de como a situação é crítica.

— A gente não tem ainda uma solução pronta, mas evidentemente isso aqui é prioridade zero no Rio de Janeiro, porque não é apenas um crime ambiental, como o Mario (Moscatelli) falou, é também um crime econômico — declarou.

Índio da Costa morou na região até a década de 1990 e diz que, na época, chegou a nadar na lagoa quando ela era limpa. Em 2014, quando foi secretário estadual do Ambiente, tentou combater a poluição do local, afirma:

— O nosso projeto é primeiro fazer a parte da prefeitura, evitando que entre esgoto na lagoa. Depois, com o governo do estado ou recursos internacionais, buscar apoio para fazer a dragagem que começamos, mas que, infelizmente, o estado não conseguiu fazer por causa do Ministério Público, e, depois, da falta de dinheiro.

Os candidatos também mencionaram a necessidade de melhorar o saneamento básico na região. Roberto Anderson, vice de Molon, questionou a forma de ocupação da Barra, sem a criação um sistema adequado.

— Fazer a despoluição das lagoas era um legado da Olimpíada. Tem que fiscalizar para que, efetivamente, todas as áreas edificadas e condomínios se conectem à rede que leva ao emissário submarino, assim como todas as comunidades, porque esse também é um grande problema — analisou.

Marcelo Freixo apontou o despejo de esgoto como o principal ponto a combater. Disse que a região poderia oferecer formação ambiental e gerar empregos, tanto em obras de saneamento como no turismo:

— Rio das Pedras é um setor que tem que ter saneamento básico urgente. É prioridade para a comunidade e para a questão ambiental. Não é verdade que seja só Rio das Pedras que polui, mas o saneamento básico é decisivo para garantir a dignidade das pessoas.

O vice de Jandira Feghali, Edson Santos, por sua vez, afirmou que é importante identificar os poluidores:

— É preciso ter um tratamento que enfoque a questão social e cuide também da fiscalização de condomínios que jogam esgoto nas lagoas.

Sem citar uma ação específica, Rodrigo Amorim, vice na chapa de Flávio Bolsonaro, disse que é preciso pensar a sustentabilidade “como um todo”:

— O próximo prefeito terá que dar uma atenção específica para estas lagoas, sobretudo para o entorno, onde estão os grandes poluidores.

Carlos Osorio classificou o sistema lagunar de Jacarepaguá como um dos maiores ativos ambientais do Rio e lamentou a degradação. Prometeu despoluir os rios e investir no saneamento da região. Ele, que em fevereiro deste ano era secretário estadual de Transportes, vê as lagoas como alternativa para desafogar o trânsito.

— As possibilidades são inúmeras. Temos oportunidades nas áreas de turismo e de transporte. Vamos trabalhar muito na implantação do transporte aquaviário aqui. Isso é uma concessão municipal — afirmou.

Apesar das ausências, Mario Moscatelli se mostrou satisfeito com o encontro:

— O objetivo é mostrar ao futuro prefeito que a situação é terminal. Não dá mais tempo para ficar de promessa. A gente precisa de algo concreto já no dia em que o vencedor assumir a prefeitura, porque o sistema lagunar da Baixada de Jacarepaguá, hoje, é a maior latrina particular do município do Rio de Janeiro. Todos os seus rios estão podres.

Fonte: O Globo