Moradores debatem soluções para população de rua na Barra e Recreio

Moradores debatem soluções para população de rua na Barra e Recreio

Segundo pessoas envolvidas e líderes comunitários, número de pedintes cresceu

Moradores debatem soluções para população de rua na Barra e Recreio

Morador de rua na Praça Tim Maia, um dos principais pontos de mendicância no Recreio – Analice Paron

A população de rua é um problema comum à maioria das grandes metrópoles do mundo. Numa cidade historicamente desigual como o Rio, a convivência com pessoas nessa situação é quase banalizada. Na Barra e no Recreio, porém, a situação vem se agravando: moradores, líderes comunitários, estudiosos e voluntários que fazem acolhimento afirmam que o número de pessoas vivendo precariamente em ruas e praças aumentou recentemente, talvez em consequência da crise econômica e do fim de milhares de postos de trabalho na área da construção civil, com a conclusão das obras olímpicas.

Basta circular pelo Jardim Oceânico para constatar esta realidade. Principalmente, por vias movimentadas como as avenidas Olegário Maciel e Gilberto Amado. Na Olegário, a marquise das Lojas Americanas costuma servir de proteção contra a chuva e o frio para moradores de rua. E o espaço em frente à loja Alan Motors tornou-se uma casa improvisada para dezenas deles. Presidente da Associação dos Moradores e Amigos do Jardim Oceânico e Tijucamar (Amar), Luiz Igrejas acha que a região é atrativa para a população de rua por causa da grande quantidade de restaurantes.

— Nos últimos meses houve um crescimento vertiginoso da população de rua por aqui, e a assistência social não aparece. Eles criam casas na Olegário, que é um polo gastronômico. E também há muitos terrenos vazios nos arredores que acabam ocupados — afirma Igrejas, que reivindica o aumento do patrulhamento na região. — Sei que esse problema não deveria ser tratado pela polícia, mas é preciso acalmar a comunidade, pelo menos para aumentar a sensação de segurança.

Funcionário da loja Alan Motors, Diego Lima diz que a situação piorou há cerca de um ano:

— Antes só umas cinco pessoas ficavam aqui em frente, agora chegam a ser mais de 20. Só que não temos muito o que fazer, porque eles só vêm quando a loja está fechada. O estado é que deveria agir.

No Parque das Rosas, moradores também afirmam que aumentou o número de pedintes. Presidente do 31º Conselho Comunitário de Segurança, Ricardo Magalhães diz que o tema costuma ser discutido nas reuniões da entidade, e que vai pedir ajuda da prefeitura para viabilizar ações de acolhimento:

— Tudo tem que ser feito com cuidado e orientação, se não eles saem (dos abrigos municipais) e voltam para o lugar onde estavam. O número de moradores de rua tem aumentado bastante, e com a situação econômica do país e do estado, o problema só tende a piorar.

Se o panorama está claro no Jardim Oceânico, na Parque das Rosas e em outras áreas da região, a solução para o problema não é tão simples. A equipe do GLOBO-Barra esteve em diversas delas e não ouviu relatos de roubos relacionados aos sem-teto. Mas, ainda assim, a situação costuma gerar reclamações.

Sociólogo: crise não é a causa

Comandante do 31º BPM, o tenente-coronel Sergio Schalioni diz que a situação dos moradores de rua não é caso de polícia, mas que a patrulha está atenta a casos suspeitos nas ruas:

— Se há dúvidas em relação às intenções do morador de rua, ele é abordado para checar se tem antecedentes criminais ou mandado de prisão expedido, bem como posse de arma ou droga.

Uma medida defendida por Ricardo Magalhães é a ocupação de espaços ociosos, como terrenos embaixo de viadutos. Há alguns anos, a Associação Bosque do Marapendi (ABM), da qual ele é vice-presidente, em parceria com a prefeitura, botou pedras embaixo das pontes próximas ao condomínio, como forma de evitar a presença de moradores de rua. Polêmica, a medida suscitou alguns protestos, mas Magalhães defende que a solução é boa:

— Estive em Roma recentemente, e lá os espaços embaixo dos viadutos foram cedidos a associações de bairros. Acho que essas áreas podem ser úteis; a prefeitura podia fazer academias da terceira idade, por exemplo. Tem que haver uma engenharia voltada à segurança pública e patrimonial, com reforço da iluminação e ocupação de espaços.

O sociólogo Paulo Magalhães, que em 2013 viveu durante um mês com moradores de rua, para realizar uma pesquisa encomendada pela prefeitura, mostra-se reticente em associar crise econômica ao aumento de população de rua. Ele sustenta que a pessoa acaba em situação de rua quando há quebra total dos vínculos afetivos e familiares, mas não quando está desempregada, por exemplo. O que pode aumentar, diz, por causa da conjuntura econômica, é a mendicância.

— O pedinte está na rua, mas não necessariamente vive na rua. Num momento de crise federal e estadual, acredito que essa situação aumente. Inclusive, acho que, com o fim dos restaurantes populares e a diminuição das políticas de transferência de renda, a mendicância deve aumentar — explica Magalhães, que também diz que o aumento de mobilidade na Barra e no Recreio pode contribuir para o crescimento da mendicância na região, mas não da população de rua, pois estes têm bases territoriais definidas na cidade.

Para além das ações do poder público, há pessoas que resolvem agir por iniciativa própria. É o caso de Vitor “Gato” Albuquerque, morador de Guaratiba, que realiza um trabalho com moradores de rua no Recreio e os ajuda a ir para abrigos. O seu envolvimento com o assunto vem de longa data. Seu pai, morto há 13 anos, vivia entre internações e as ruas por causa de um problema mental. Por algum tempo, ele tentou se afastar dessa realidade, mas há três anos criou o projeto “Fazer o bem sem olhar a quem”.

— Em três anos levei 800 pessoas para abrigos, principalmente da Zona Oeste. Conheço quase todos da região; toda semana vou ao encontro deles, levo comida, converso. Também promovo eventos especiais; levo ao cinema, ao teatro. E gosto também de trazer pessoas ressocializadas para conversar com quem ainda está na rua, como forma de incentivo e inspiração. Muita gente me ajuda com doações que peço pelo Facebook para manter o projeto — explica Albuquerque, que também realiza rodas de oração com a população de rua.

Albuquerque confirma que o número de sem-tetos vagando pelo Recreio aumentou recentemente. Segundo ele, a ajuda que os moradores do bairro prestam aos necessitados seria um dos motivos. Por outro lado, ele diz que milicianos atuam para expulsar os sem-teto quando há uso de drogas ou atos considerados inconvenientes. Na semana passada, a equipe do GLOBO-Barra esteve na Praça Tim Maia, no Posto 12, onde dezenas de pessoas vivem acomodadas nos gramados. Apesar da presença de muitos colchões, só havia um morador na praça no momento. Segundo Albuquerque, esta pode ser uma evidência da ação de milicianos:

— Provavelmente alguns “aprontaram” nos últimos dias e aí tiveram que ficar circulando pelas ruas. De noite eles voltam.

Iniciativas e projetos de recuperação

No caso da Praia da Macumba, foi o próprio Albuquerque quem contribuiu para “esvaziar” o local. Há alguns meses, cerca de 20 pessoas viviam ali. Hoje, são apenas dois: Francisco Isaías Rodrigues e Sergio “Manchinha”. Isaías tem 33 anos e vive nas ruas do Rio há quatro, desde que chegou do Maranhão.

— Ganho dinheiro limpando peixe por aqui. A prefeitura já me levou uma vez para um abrigo na Ilha do Governador, mas eu não quis ficar. Tinha muita gente usando crack; era um ambiente ruim — explica Isaías, que diz ter ganhado um terreno na Comunidade dos Palmares, em Vargem Pequena, para onde pretende se mudar.

Manchinha, de 35 anos, diz que não gosta de ficar muito tempo em um lugar só. Como o colega Isaías, ele também está na rua há quatro anos. Saiu de casa depois de brigar seriamente com a mulher.

— Eu surtei, cheguei a roubar minha mulher para comprar droga. Mas um dia quero voltar a ter uma casa — diz Manchinha, que trabalhava como pedreiro e bombeiro hidráulico.

Albuquerque diz que as drogas e o álcool são as principais dificuldades no caminho de quem trabalha com moradores de rua. Na sua opinião, não adianta a prefeitura levar pessoas para os abrigos sem oferecer tratamento para o vício. Outro problema, diz, é tentar promover o retorno ao convívio da família:

— É muito difícil a pessoa voltar para sua família; o mais fácil é ela começar uma vida nova. Às vezes, outro empecilho são brigas com bandidos das comunidades onde ela vivia, e aí não dá para voltar.

A irmã Maria Elci Zerma, fundadora da Associação Amigos de Betânia (Asab), que realiza trabalho de recuperação de população em situação de rua em suas duas unidades, na Freguesia e em Santíssimo, diz que o vício é um traço comum aos acolhidos. Entretanto, a dependência, que era exclusivamente do álcool em 1999, quando a casa foi criada, ainda no Alto da Boa Vista, hoje abrange muitas outras drogas.

— Hoje vemos dependência de múltiplas drogas. O álcool continua sendo muito comum, mas também tem muita cocaína e crack. Tratamos ainda do tabagismo. O perfil dos moradores de rua mudou desde 1999. Hoje eles são mais jovens, numa faixa de 18 a 30 anos, e há alguns poucos acima de 40.

A Asab tem um contrato de convênio com a prefeitura, que paga a equipe de técnicos da casa. Há psicólogo, pedagogo e especialistas em dependência química, além de 40 voluntários trabalhando nas casas. A unidade da Freguesia tem 50 vagas e a de Santíssimo, 40. A maioria dos residentes chega pela central de acolhimento da prefeitura. Mas há também aqueles que procuram o lugar espontaneamente. O trabalho de recuperação dura, em média, nove meses, diz irmã Maria.

— Queremos que eles saiam daqui com documentos, trabalho, moradia e saúde recuperada. O trabalho é árduo e o apoio vem muito da sociedade civil, com doações. Procuramos parcerias também. Temos voluntários que dão aulas de judô, ioga, artesanato e outras atividades. É raro a pessoas não ser recuperada em no máximo nove meses. No primeiro mês após o tratamento, eles ainda têm direito a morar aqui — diz a religiosa, que deixou Curitiba para começar o projeto social no Rio. — Cerca de 65% dos residentes não voltam para a rua, o que é um número alto, porque muita gente desiste no meio do caminho; não é fácil. Nós encaminhamos a maioria dos recuperados para trabalhar na construção civil ou em condomínios da região.

Outro ponto destacado pela religiosa é a ausência de casas de recuperação para deficientes, o que dificulta o auxílio aos moradores de rua. Apesar dos obstáculos, ela mantém o otimismo em relação ao seu trabalho, e não perde o bom humor:

— Uma coisa que não mudou muito desde que comecei a acolher as pessoas é que elas continuam gostando dos jogos do Flamengo.

A Secretaria municipal de Desenvolvimento Social (SMDS) informa que realiza diariamente o acolhimento de pessoas em situação de rua em todas as regiões da cidade, incluindo Barra e Recreio. As pessoas que concordam em ir para os abrigos são inseridas num método implantado em 2015, que visa a propiciar condições para o início de uma nova trajetória. Elas passam por avaliação médica, verificação de documentos, cursos de qualificação profissional e busca de emprego. As pessoas recuperadas, acrescenta, recebem oferta de estadia em hotel até conseguir residência própria.

Em relação aos abrigos, a pasta diz que tem 38 próprios e 24 conveniados, somando 2.177 vagas. Em 2013, a SMDS realizou um censo da população de rua, que apontou 5.580 pessoas nessa situação na cidade. Desses, 81,8% são homens e 69,6% têm entre 25 e 59 anos. O Centro da cidade é onde há mais moradores de rua, com 33,8% do total.

 

Fonte: O globo

Posto de salvamento é inaugurado na Praia da Macumba

Posto de salvamento é inaugurado na Praia da Macumba

Campanha para arrecadar dinheiro começou com um churrasco

Posto de salvamento é inaugurado na Praia da Macumba

O 2º GMar apoiou o projeto da galera do deque e escala salva-vidas para dar plantão no posto – Agência O Globo / Angelo Antônio Duarte

A “galera do deque” é um grupo de amigos que pratica longboard e se reúne, semanalmente, nos quiosques Rico Point e Point 5W, na Praia da Macumba, para falar de ondas, tomar açaí e relaxar. Mas no último ano essa turma não descansou enquanto não conseguiu pôr em prática o projeto de construir um posto de salvamento no local. Objetivo conquistado, nas últimas semanas, com a unidade já erguida entre os points da turma, o mar ficou em segundo plano, ainda que estivesse com os melhores tubos.

— Não conseguimos parar de admirar a nossa conquista. Há três anos sonhamos com um posto de salvamento para a Macumba. O do Posto 12, que era o que nos atendia, fica muito longe daqui. Já presenciamos muitos afogamentos em que a vítima acabou morrendo porque o socorro demorou a chegar — conta o empresário Djan Madruga.

O ponto de partida para a construção foi um churrasco que um dos participantes do projeto promoveu em seu restaurante para arrecadar verba. Em seguida, veio a busca por parceiros que topassem abraçar a causa.

— Conseguimos, com uma madeireira, toda a madeira usada na construção do posto, que tem estilo polinésio. Uma loja de material de construção deu alguns materiais e dinheiro. No total, conseguimos contribuições de 172 pessoas e 19 empresas — destaca o arquiteto Wil Andrade, que desenhou o projeto da unidade.

Além dos parceiros, a “galera” contou com o apoio da subprefeitura da Barra e do 2º Grupamento Marítimo (GMar).

— Todo o nosso esforço seria em vão se não conseguíssemos as licenças na subprefeitura nem salva-vidas para dar plantão no nosso posto — comemora o analista de sistemas Ronan Amaral.

Fonte: O Globo

Moradores do Recreio se armam para combater a proliferação de pernilongos1

Moradores do Recreio se armam para combater a proliferação de pernilongos e ‘Aedes aegypti’

Fiscalização doméstica é a principal forma de controle da dengue

Moradores do Recreio se armam para combater a proliferação de pernilongos1

Sheila Strong e seu arsenal contra os mosquitos – Analice Paron / Agência O Globo

Entra ano, sai ano, um problema continua a atormentar a vida de moradores do Recreio: a presença maciça de mosquitos. Enquanto muitos reclamam e denunciam locais com possíveis criadouros, a prefeitura toma medidas paliativas para amenizar o problema. Com a proximidade do verão, a preocupação aumenta, principalmente na região da AP4, que abrange Barra, Vargens e Jacarepaguá: dados recentes mostram que esta é uma das regiões da cidade com maior número de casos registrados de dengue.

Até setembro, último mês com números divulgados pela Secretaria municipal de Saúde, 2.976 casos de dengue foram registrados na AP4, sendo 907 na área que vai do Joá a Vargens e 1.891 na região de Jacarepaguá. O problema, porém, vai além do Aedes aegypti. Pernilongos são uma inconveniência constante na vida dos moradores da região, em especial no Recreio, já que muitos cursos hídricos da poluída Baixada de Jacarepaguá deságuam no Canal das Taxas.

De tempos em tempos, as gigogas cobrem a superfície do canal e da Lagoinha das Taxas, o que aumenta ainda mais a presença de mosquitos. No último mês, a prefeitura realizou a remoção das plantas do local, e o problema foi amenizado. Mas o alívio é apenas temporário, frisa Sheila Strong, que mora em frente ao Parque Chico Mendes, onde fica a lagoa.

— Moro no Recreio há 22 anos, e a situação piora cada vez mais. O parque é um grande foco de proliferação de mosquitos por causa das gigogas. Agora melhorou, com a remoção, mas daqui a pouco elas voltam, porque não resolvem o despejo de esgoto, que é a origem do problema — diz Sheila, referindo-se ao fato de as gigogas se alimentarem dos nutrientes presentes no esgoto.

Sem vislumbrar solução para a falta de saneamento por parte do poder público, a população se mune das armas de que dispõe, principalmente repelentes e telas nas janelas. Sheila diz que, em alguns momentos, a luta contra os mosquitos parece uma guerra:

— Tem dias em que é muito difícil. Minha portaria às vezes parece um céu negro. Às 17h, a gente precisa passar correndo.

No caso de Eduardo Paci, a infestação de mosquitos não é prejudicial somente a ele, mas ao seu estabelecimento. Sócio de um restaurante japonês na Rua Fernando Leite Mendes há 15 anos, ele diz que o problema nunca foi tão grave.

— O local do qual os clientes mais gostam é a área externa, mas agora as pessoas quase não ficam mais lá, porque está insuportável. Toda semana compro dois tubos de repelentes para conseguir manter o mínimo de sossego — lamenta Paci, que também mora no bairro. — Na minha casa eu coloco tela nas janelas e uso muito repelente. Com a remoção das gigogas melhorou, mas este ano está demais. Nunca tive dengue, mas meu sócio pegou a doença há alguns meses.

Moradores do Recreio se armam para combater a proliferação de pernilongos2

Canal das Taxas é o principal foco de pernilongos – Fábio Rossi / Fabio Rossi Agência O Globo

O principal foco dos mosquitos é conhecido por quase todos os moradores do Recreio. O Canal das Taxas, que padece com o despejo de esgoto in natura, tornou-se há tempos um dos principais pontos de proliferação de pernilongos, principalmente quando as gigogas tomam a superfície. Presidente do Movimento de Despoluição do Canal das Taxas, Antonio Melo é uma das pessoas que lutam pela melhora no quadro ambiental e sanitário da região.

— Tem que resolver o problema do esgoto. Mas quem é que responde pelo Canal das Taxas? Qual secretaria? Ninguém sabe — reclama.

Cansado de esperar soluções vindas do poder público, Melo resolveu levar à prefeitura uma proposta para amenizar o problema. Desde o ano passado, uma força-tarefa reunindo representantes de diversos órgãos, como Secretaria municipal de Meio Ambiente e Cedae, trabalha junto com representantes dos moradores para encontrar e interromper ligações clandestinas de esgoto nas ruas do entorno do Canal das Taxas.

O trabalho avança, diz Melo, mas não será responsável por solucionar todos os males. Ele mesmo sofreu, recentemente, com a proliferação de mosquitos, ao ser contaminado pelo vírus zika, em março deste ano.

— Pode ter sido no Recreio ou em Ponta Negra (Maricá). O que eu sei é que aqui no bairro tem muita gente pegando dengue — diz Melo.

Os casos da doença, especificamente, pouco têm a ver com o Canal das Taxas, segundo a pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Denise Valle. O alto grau de poluição inibe a presença do Aedes aegypti, explica:

— No canal há pernilongos. As gigogas até poderiam ser vetores de reprodução do Aedes, mas o que observamos é que ele se reproduz principalmente em áreas domésticas.

80% dos focos em domicílio

A explicação da pesquisadora da Fiocruz a respeito dos principais focos do Aedes aegypti leva a outra grande preocupação dos moradores do Recreio: a presença de terrenos baldios ao lado de condomínios residenciais. Alguns contam que já denunciaram o estado de abandono dos locais diversas vezes à prefeitura. Há terrenos nessas condições em ruas como a Haroldo Cavalcanti, a Alfredo Mesquita e a esquina da Clóvis Salgado com a Olivio Cesar Castoldi.

— Nesses terrenos é comum encontramos lixo, garrafas e vários itens que formam coleções de água. São ambientes artificiais, que atraem o Aedes. Aí é mais perigoso — afirma Denise Valle.

A Secretaria municipal de Saúde (SMS) explica que a Coordenação de Vigilância Ambiental em Saúde faz visitas de rotina a terrenos baldios em busca de criadouros do mosquito da dengue. O da Rua Alfredo Mesquita foi vistoriado em fevereiro. Nos meses de janeiro e setembro, foram visitados os de número 115 e 331 da Rua Haroldo Cavalcanti e o da esquina da Clovis Salgado com a Olivio Cesar Castoldi. A secretaria diz que não foram encontrados focos de Aedes, apesar da má conservação e do mato alto, e que o aumento desses insetos no Recreio “se dá pela proximidade com o Canal das Taxas”.

Moradores do Recreio se armam para combater a proliferação de pernilongos3

Terrenos baldios denunciados. Áreas com mata alta preocupam, mas na Rua Haroldo Cavalcanti o número 331 foi vistoriado e não há foco – Fábio Rossi / Agência O Globo

Subprefeito da Barra e Jacarepaguá, Marcio Valente afirma que as medidas tomadas nas últimas semanas aliviam a situação. Foram duas ações específicas realizadas em conjunto com SMS, Rio-Águas e Comlurb: a remoção das gigogas e a utilização do carro fumacê:

— Quando mexemos nas gigogas, muitos pernilongos sobem; então solicitamos a presença do fumacê nas ruas do entorno do Parque Chico Mendes, principalmente. Depois do Recreio, vamos programar uma ação na área do condomínio Cidade Jardim, onde os canais também estão com muitas gigogas. Com a chegada do verão, a quantidade de mosquitos aumenta bastante; precisamos estar atentos.

Valente diz que quer realizar mais uma ação conjunta com a SMS para tratar de focos de mosquito dentro de residências. Sobre os terrenos baldios, observa que a maior dificuldade é entrar em uma área privada sem permissão.

— A princípio só podemos notificar o proprietário, mas, se for algo muito sério, entramos junto com a Comlurb — diz o subprefeito.

Medida controversa, o carro fumacê tem sua eficácia rechaçada pela pesquisadora Denise Valle. Ela diz que contra o Aedes aegyti o procedimento é inútil:

— O Ministério da Saúde recomenda de cinco a sete aplicações por ano nos casos de bloqueio de surto. Não é medida preventiva. O Aedes só vai morrer se voar por dentro da fumaça, mas ele é um mosquito de ambiente doméstico, não fica voando pelas ruas. Se o vento estiver numa velocidade acima de três quilômetros por hora, por exemplo, não voa. Fumacê é desperdício de dinheiro.

Já o subprefeito diz que a sensação é de que a medida ajuda:

— Se tem uma questão ecológica eu não sei responder, mas que melhora a vida dos moradores, melhora. Claro que para resolver o problema em definitivo as lagoas deveriam ser despoluídas, mas isso foge da nossa competência.

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Terreno baldio na Rua Olívio Cesar Castoldi esquina com a Rua Clovis Salgado – Fábio Rossi / Agência O Globo

A Coordenação de Vigilância Ambiental em Saúde confirma que a aspersão de inseticida no ar pelo fumacê deve ser usada apenas em situações de epidemia, surtos localizados, alguns bloqueios de contenção e situações de alta incidência vetorial, não sendo indicado no momento no Recreio. Alerta, inclusive, que seu uso indiscriminado pode causar intoxicação nas pessoas e danos ambientais, matando os predadores naturais do mosquito. O método mais eficiente de combate ao Aedes aegypti, frisa, continua sendo evitar o nascimento do mosquito. Quanto ao uso no entorno do Parque Chico Mendes ao qual se referiu o subprefeito, esclarece, foi uma ação pontual, realizada apenas no momento em que houve a remoção de gigogas, quando muitos mosquitos voavam.

Denise lembra que a principal forma de combate à dengue é o controle doméstico e contínuo. Mesmo em períodos de seca, o Aedes pode proliferar, já que sua reprodução está mais associada às altas temperaturas do que à estiagem, uma vez que os ovos são colocados em recipientes artificiais.

— Naquela superestiagem de São Paulo, há alguns anos, por exemplo, houve epidemia de dengue. O ovo normalmente fica em coleção de água doméstica e demora uma semana para virar adulto. O combate é mais fácil quando o mosquito ainda é uma larva, e tem que ser feito toda semana, porque o Aedes bota ovos em criadouros dispersos. Então, você pode ter eliminado um foco sem saber que existem outros. Qualquer sinal de acúmulo de água precisa ser verificado, e não só no chão ou em plantas, mas também em calhas, lajes e ar-condicionados — explica Denise. — Para evitar a presença de pernilongos em casa, a principal medida é fechar as janelas no fim da tarde ou usar telas. Diferentemente do Aedes, o pernilongo tem hábitos noturnos. Ele costuma voar no crepúsculo vespertino, às 17h, 18h.

A SMS também pede que a população verifique possíveis focos em casa, onde, segundo dados oficiais, estão cerca de 80% dos criadouros do mosquito. E acrescenta que realiza trabalho de combate e prevenção de dengue, zika e chicungunha mesmo nos meses de menor incidência das doenças.
Fonte:O Globo

estacionamento para gestantes

Shoppings e centro comerciais do Rio terão que reservar vagas para gestantes

Shoppings, hipermercados e centros comerciais de todo o estado do Rio serão obrigados a reservar vagas de estacionamentos para gestantes e pessoas com crianças de colo. É o que determina o decreto publicado no Diário Oficial  (1º/11) e que foi assinado pelo governador em exercício Francisco Dornelles. O projeto de lei estabelece multa diária de R$ 500 para os estabelecimentos que descumprirem a determinação.

estacionamento para gestantes

Fonte: Jornal da Barra

Brt1

Assustados com crimes no BRT, moradores pedem aumento na segurança

Uma das sugestões é que policiais trabalhem sem uniforme nas estações de maior risco

 

Brt1

Inseguro. O estudante Bernardo Saporito foi assaltado dentro da estação Afrânio Costa, na Barra, e agora não pretende mais andar sozinho – Agência O Globo / Mônica Imbuzeiro

Junto com as milhares de pessoas que entram nas estações de BRT das vias expressas Transoeste, Transcarioca e Transolímpica, diariamente embarca o medo. Nas três, passageiros sempre reclamaram de vandalismo e furtos, dentro e no entorno das estações. Agora, muitos vêm reclamando também de assaltos, inclusive à mão armada.

A vendedora Lúcia Helena escuta, e vivencia, estas reclamações todos os dias. Ela mora em Campo Grande e sai de casa por volta das 3h40m, de BRT, em direção à estação Gláucio Gil, no Recreio. Ela chega às 4h e já monta sua barraca para vender café da manhã aos usuários do transporte. Ela diz que já viu de tudo nos últimos cinco anos, entre a hora que chega, ainda no escuro, e as 9h30m, quando o sol já está a pino. Entre suas amigas mais próximas, calcula rapidamente, pelo menos sete já foram assaltadas nas estações ou no entorno delas.

— O BRT melhorou a mobilidade, mas em compensação o número de assaltos aumentou muito, principalmente com arma branca, porque faca não faz barulho e intimida todo mundo. Quem não tem medo de uma faca? — indaga.

Numa madrugada, conta, ela e seus clientes conseguiram evitar um estupro, perto do Américas Shopping.

— Eu estava servindo dois clientes quando vimos uma moça assustada, fugindo de dois homens. Meus clientes pegaram a minha faca de passar manteiga no pão, que é grande, e saíram correndo em direção à moça. Se não fosse pela ação deles, ela teria sido estuprada — relata.

O estudante Bernardo Saporito não teve a sorte de contar com algum passante para ajudá-lo. Ele saiu do IBMR, na Avenida das Américas, onde cursa Design de Games, atravessou a rua e foi abordado e assaltado assim que entrou na estação Afrânio Costa do BRT. O ladrão aproveitou que a estação estava quase vazia e sem segurança para levar seu dinheiro e o telefone celular.

— Eu saí da faculdade, perto do meio-dia e, como estava com pressa nesse dia, fui sozinho para a estação. Um cara, que parecia uma pessoa comum, me chamou, mas não dei atenção. Até que ele chegou do meu lado e começou a me ameaçar, dizendo que eu estava maluco por ignorá-lo e que ia dar um tiro na minha cara. Não vi a arma dele, mas não quis me arriscar e entreguei o celular e o dinheiro. Quando terminou o assalto, ele mandou eu entrar num ônibus, que estava chegando naquele momento, e ir embora — explica.

As cenas de violência registradas na Barra e no Recreio se repetem em Jacarepaguá. Há cerca de um mês, o estudante Lucas Malafaia foi uma das vítimas da insegurança do BRT. Pouco antes de chegar à estação Tanque do BRT Transcarioca, foi assaltado por um bandido armado, dentro do ônibus.

— Um homem se sentou do meu lado e apontou a arma. Eu dei minha carteira e ele saltou na estação seguinte — afirma Malafaia, que reclama do estado das estações do corredor Transcarioca. — Estão quase sem iluminação e com muitas portas quebradas, resultado de invasões. Quando há seguranças, eles ficam mexendo no celular ou dentro da cabine, e nada fazem.

O estudante também passou por um momento tenso duas semanas atrás, na estação Merck. Ele estava acompanhado de um amigo e encontrou 15 adolescentes fazendo baderna no local. Com medo, saltou do ônibus na estação seguinte. Malafaia utiliza o BRT Transoeste diariamente e o Transcarioca, duas vezes ou três vezes por semana. O segundo corredor, diz, é mais perigoso, por ficar mais vazio à noite, e quase sempre escuro.

— Desde que o BRT foi inaugurado, a situação só piora. O Transoeste ao menos fica lotado a qualquer hora do dia, o que dá maior sensação de segurança — afirma Malafaia. — Durante a Olimpíada ainda havia mais segurança. Depois, todo aquele aparato se foi. Parecia que estava tudo ótimo, mas na verdade não estava.

Apesar da impressão do estudante, Lúcia Helena diz que nem o grande movimento garante vigilância adequada e segurança para os passageiros.

— Depois das 17h, quando as pessoas começam a voltar para casa, o movimento aumenta muito e o BRT diminui o número de ônibus, a situação fica pior. Os pivetes ficam rodando por aqui só esperando o empurra-empurra que as pessoas fazem para entrar nos ônibus e começam a furtar, já que ninguém consegue sentir que está sendo roubado. As mulheres só andam abraçadas com as bolsas, e algumas até levam o celular dentro do short — relata.

PARA EVITAR QUE HAJA MAIS VÍTIMAS

Mesmo quem não foi vítima de assaltos está se mobilizando pela segurança. Cansado de ver ocorrências durante a semana e vandalismo nas estações durante o final de semana, Carlos Alexandre Borges dos Santos, morador do Recreio, enviou uma correspondência ao comando do 31º Batalhão de Polícia Militar (Recreio) sugerindo que fossem destacados policiais não uniformizados para trabalhar nas estações Gláucio Gil, Gilka Machado e Guiomar Novaes, que dão acesso à praia e são as mais movimentadas.

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Arriscada. Estação Gláucio Gil, no Recreio, é uma das mais movimentadas e visadas pelos ladrões e vândalos – Agência O Globo / Mônica Imbuzeiro

— Passei pelas estações de Santa Cruz, onde há muito vandalismo, e vi que havia uns seguranças que pareciam ser policiais à paisana. Teve uma situação na qual eles se apresentaram, mostraram uma carteira e resolveram o problema pacificamente. Acredito que sejam policiais e gostaria que a medida fosse estendida para nós aqui no Recreio e na Barra — pleiteia.

A empresária Sabrina Bina também deseja contribuir para ajudar a melhorar a situração. Há cerca de duas semanas ela lançou a campanha virtual #sosrecreio, no Facebook, para reunir relatos de violência principalmente nas estações de BRT.

— A ideia veio num dia em que eu passei por uma estação e vi uma confusão muito grande. Muita gente correndo, dando calote, batendo no ônibus, causando tumulto. Fiquei com medo e fui embora. Ao chegar em casa, soube que tinha havido um arrastão na estação do Recreio Shopping. Lancei então a hashtag sosrecreio, que teve adesão instantânea, com muita gente relatando casos pessoais — explica.

Para a empresária e moradora do Recreio, uma das soluções para o BRT seria a segurança privada.

— O 31º BPM tem que cuidar de uma área muito grande, e eles têm poucos recursos; o estado está falido. Precisamos de mais ajuda. Quando a Transolímpica for totalmente aberta, o Recreio vai virar terra de ninguém. Não aconteceu nada comigo ainda, mas não quero que aconteça, e vejo que muitas pessoas estão sofrendo com a situação — pondera.

A Polícia costuma reforçar a necessidade de as vítimas de crimes irem à delegacia mais próxima para fazer o boletim de ocorrência. Mas, descrente, o estudante Bernardo Saporito diz que não fez registro da violência que sofreu. Acrescenta que a solução para ele vai ser não andar mais sozinho, para não facilitar a ação dos bandidos.

Já a vendedora Lúcia Helena acredita que só a presença policial pode resolver os problemas no BRT:

— É difícil ver patrulha passando por aqui. Se houver mais policiamento, certamente a violência vai diminuir.

Por e-mail, o consórcio BRT Rio informa que tem um convênio com o Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis), que permite a contratação de policiais fora do horário de serviço. São estes policiais que trabalham à paisana dentro e fora das estações e também dentro dos ônibus do BRT, explica o consórcio, sem revelar quantos agentes são. O local de atuação do contingente é definido de acordo com a necessidade. Além do Proeis, a segurança é feita por controladores de estação e câmeras que enviam imagens para um centro de controle.

Segundo o consórcio, na última segunda-feira, uma ação conjunta resultou na prisão de um homem acusado de praticar assaltos no trecho entre o Recreio e o Jardim Oceânico. O bandido foi reconhecido por oito vítimas, que fizeram registros na 16ª DP (Barra) e na 42 ª DP (Recreio).

A PM diz que não recebeu o pedido enviado por Carlos Alexandre Borges dos Santos. Confirma o acordo com o Proeis, mas afirma que os militares trabalham fardados. E acrescenta que realiza policiamento ostensivo nas linhas do BRT.

Fonte: O Globo

orla do recreio

Orla fechada no domingo, de novo…

orla do recreio

 

Mal as Olimpíadas acabaram e os motoristas voltam a ter problemas com interdições e mobilidade. Desta vez é para as provas de IronMan no próximo domingo, 06 de Novembro. Os fechamentos serão da Avenida Lúcio Costa, pouco depois do Condomínio Alfabarra, na Barra da Tijuca, até a Avenida Gilka Machado, no Recreio. Também estarão fechadas a Estrada do Pontal, a ponte sobre o Canal do Rio Morto, a Avenida das Américas até o topo da Serra da Grota Funda e o Trevo de Guaratiba (em frente ao posto de gasolina). As interdições começam às 4h da manhã e seguem até as 16h30.

Na Avenida Lúcio Costa, no sentido Barra-Recreio, do Alfabarra até a Praça Tim Maia, pista junto à orla fica fechada das 4h às 11h30. A partir desse horário os motoristas poderão acessar a Praia da Reserva até a Ilha 3.

No sentido inverso, do Recreio para a Barra, a pista fecha às 4h e só reabre às 16h30.

No Recreio, a pista da praia e a pista central junto às edificações também estarão fechadas das 4h às 16h30, com estacionamento proibido da Avenida Pedro Moura até a Avenida Gilka Machado, das 4h às 16h30.

A Estrada do Pontal, da Avenida Gilka Machado até a Avenida das Américas, e a subida da Grota Funda até o Trevo de Guaratiba (junto ao Posto Ipiranga) ficam fechadas das 4h às 11h30.

O Ironman compreende três modalidades: natação (1.900 metros) na Praia da Macumba; Ciclismo (90 km), da Praça Tim Maia até o Alfabarra, retornando até o Recreio, subindo a Serra da Grota Funda e voltando novamente até a Praça Tim Maia, por três vezes; e corrida (três voltas de 7 km) pela praia do Recreio/Reserva.

 

Fonte: Jornal do Recreio